quarta-feira, 17 de abril de 2019

[Quadrinhos] Pelezinho em: Bonga de Páscoa


"Bonga de Páscoa" é uma HQ muito bacana da turma do Pelezinho. Tudo começa quando Bonga encontra um ovo de páscoa perdido e quer comê-lo. Acontece que aquele não era um ovo comum e, por isso, ela acaba sendo raptada por uma multidão de coelhos e levada a uma civilização oculta. Pelezinho, que acompanhou tudo, foi atrás e descobriu que aquele ovo mágico fez com que Bonga se tornasse a líder daquela população, pois eles estavam procurando pela sua rainha que, por sua vez, desaparecera misteriosamente. Coube a Pelezinho investigar o paradeiro da rainha de todos aqueles coelhinhos, antes que Bonga fosse empossada para sempre e nunca mais deixasse o reino.
Essa trama é bem bacana porque fala de páscoa utilizando dois atributos que são bem reconhecidos aqui no Brasil: os coelhos e os ovos de chocolate. Além disso, explora de forma leve a questão da autoestima, quando Pelezinho afirma que Bonga não é considerada gorda, apenas um pouco mais robusta, e que não tem nenhum problema com isso, pois ela se ama do jeito que é. Também a magia da rainha dos coelhos ao produzir ovos de páscoa constantemente e o quanto tal atividade suga suas energias. Entende-se, a meu ver, a questão existencial de alguém que se presta a tal feito, ainda que essa tarefa lhe pareça sacrificante e lhe consuma em demasia, pois torna-se a razão de viver daquela pessoa e que também se reflete em tudo ao seu redor. É claro que as criancinhas não teriam esse entendimento, mas o barato é esse lance de elas se divertirem com a mensagem mais explícita e comum enquanto nós, os adultos, às vezes, acabamos obtendo um entendimento mais profundo de alguns momentos, porque captamos algumas mensagens para nós mesmos. Essa era a característica mais tradicional das produções do Mauricio, produzir historinhas capazes de entreter as criancinhas e também os marmanjos. Agradava pais e filhos.

A HQ está completa. Divirta-se! 

domingo, 14 de abril de 2019

[Quadrinhos] Fanart: Os Flintstones


Compartilho com vocês esta "fanart" que fiz há algum tempo (na verdade, alguns anos), em um momento saudosista dos Flintstones em que pensei que poderia ser muito legal se existissem tirinhas de anedotas com eles. Dez vez em quando, penso nessas coisas, em como seria legal esse material feito por outros caras e... porque não eu? Aí, pego a caneta e faço a minha parte. Além desta, há outra com Snoopy, Donald e Bidu. Eu poderia fazer mais, pois é um prazer imenso bolar essas pequenas situações e até 'trolar' com os personagens tão estimados. Acontece que expor esses trabalhos pode criar um problema enorme com direitos autorais, e fazer para manter escondido dentro de uma gaveta não é lá algo muito entusiasmante. Não sou contra leis de direitos autorais, pois também sou autor. Porém, sou a favor de que cada caso seja um caso. É preciso flexibilizar um pouco, averiguar e diferenciar situações de má fé daquelas que são apenas uma expressão de fã. Pois não tem graça ser fã de alguma coisa se não pode falar dela e nem se expressar com ela, se acaba sendo proibido mostrar, postar e de repente se ver obrigado a esconder o material em casa. Na verdade, é ridículo ter que esconder. Fã gosta de mostrar e se expressar. Se for pra ficar escondendo meus quadrinhos de todo mundo, então nem compro mais. Que graça que tem?

quinta-feira, 11 de abril de 2019

[Livros] O BEIJO NEGRO

Em primeiro lugar, quero dizer que gostei muito de ter conhecido o autor na rede social e manter contato com ele até hoje. Isso não vai fazer com que eu omita minha opinião a respeito da obra, pois não gosto da ideia e criar vínculos a troco de afetar minha credibilidade que é focada no leitor que vem aqui em busca de opiniões sinceras acerca de alguma leitura. Eu prezo muito isso, porque já me senti confuso com determinado título de livro que eu gostaria de ler e, de repente, ficava me perguntando se valeria a pena. Então, eu penso que blogues e demais canais literários devem se focar em ajudar esse leitor. E essa ajuda só acontece quando o dono do blogue é sincero.


O Beijo Negro é um livro do Marcelo Rua: escritor do Rio de Janeiro que já demonstrou seu talento aos cinco anos de idade, diante da máquina de escrever de seu pai. Escreveu seu primeiro romance (aquele que ele considera "pra valer") entre os 19 aos 32 anos. É estranho pensar nessa faixa de anos apenas para escrever um livro. Antigamente, esse processo era muito difícil aos dias atuais, onde já temos um computador que conserta nossos erros, arquivamos tudo bonitinho, formatamos e toda a comunicação é feita expressa por e-mails e redes sociais pela Internet. Antigamente, não havia nada dessas facilidades. Mas, o que importa é falar do livro. Vamos lá!

A história foca em Alexia, praticamente uma musa, uma deusa, uma feiticeira que tem um relacionamento sério com um homem da alta sociedade chamado Gaelano Vergara. Alexia o ama, mas a relação caiu na rotina, então (sem florear muito e indo mais direto ao ponto) ela resolve que sair por aí, dando geral, é a melhor solução para seu tédio. O que vamos acompanhando em Alexia são sentimentos e sensações que ela vai tendo de acordo com essa entrada no mundo cão de sexo e prazer. Seus pensamentos oscilam entre a comodidade de um homem maravilhoso como Gaelano e as experiências sexuais devassas que ela opta vivenciar por aí.

Gaelano, por sua vez, é um homem lindo e de boa casta que não sabe o que é encochar numa garota, não tem a pegada que faz o coração da moça acelerar. Alexia justifica inúmeras vezes ao longo da trama que ele não é ruim de cama, apenas não tem tempero, é bonzinho demais, sempre. Sabe aquele relacionamento em que o cara faz tudo o que a garota pede, atende todos os seus desejos, faz ela sempre ser correspondida? Esse é Gaelano. O homem ideal que nunca fez com que Alexia sentisse raiva ou preocupação. O homem que não existe. E tanto não existe que ela resolveu liberar geral. 

A trama oferece muitas situações para Alexia. Há vários acontecimentos e outros personagens marcantes. Um deles é Heron, o personagem que mais gosto, pois ele é focado e determinado. Foi colocado na trama para nos mostrar um comportamento que algumas pessoas da classe alta mantêm por aí, que é chafurdar-se na lama com os porcos. Sim, a população julgada como sendo a escrotice social, que é abandonada por todos e tem que se virar como pode nos morros e comunidades carentes da vida. Essa população serve às fantasias e instintos de pessoas como Heron, que mostra tudo o que um boyzinho filhinho de papai pode fazer quando quer sexo gostoso, sem frescura e de graça. Achei curioso como os momentos mais marcantes desse livro foram com ele e não com Alexia.

Se até agora você não entendeu bem o clima da trama, eu digo que se trata de um "thriller" erótico. Já li algo do tipo em formato digital, escrito por mulheres e gays como eu. A novidade foi, justamente, saber como é esse tipo de material produzido por um homem hétero. Achei bem interessante, pois há certas peculiaridades na linguagem, narrativa e forma de colocar os acontecimentos. Porém,  chegou a hora e apontar algumas coisas.

Marcelo Rua é muito inteligente e culto; percebe-se facilmente pelas referências introduzidas e o modo de narração. Acontece que uma expressão tão polida e tão culta não combina nada com os momentos quentes onde o que a gente mais deseja é sentir aquele calor entre as pernas. Citações como "introduziu sua genitália na alcova" são broxantes. Imagine ouvir isso ao pé do ouvido. Não rola! Os vários instantes como esse foram os que me deram mais raiva, pois foi como se alguém colocasse a mão no meu pinto toda vez que eu estivesse prestes a gozar. Um corta-tesão. 

Há vários parágrafos que repetem a mesma coisa. Isso tem um nome próprio que agora não me lembro. Vou dar um exemplo que nem é do livro, mas apenas para vocês terem uma ideia:

"Ela abriu a janela do quarto naquela manhã e o céu não estava com aquele azul determinante e cheio de magnetismo como ela desejara. O céu estava febril, prestes a desabar a qualquer momento, na janela de seu quarto, naquela manhã.", veja que se repete a informação do ambiente (a janela do quarto) e do tempo (naquela manhã). Então, a gente lê uma infinidade de parágrafos que repetem o mesmo entendimento. É como se a gente quisesse ir a 100km/h com o carro na segunda macha. 

Apesar disso, eu li as 288 páginas desse romance erótico que acabou me marcando por ser tão diferente do que já tinha conhecido. Considero uma experiência positiva, pois saciou minha curiosidade em saber como seria uma obra "Hot" escrita por um machão pegador de mulher, e também pela sua característica insólita em desenrolar a trama. Sobre essas críticas que apontei, digo que elas acabaram fazendo com que o livro adquirisse uma identidade ímpar. Às vezes é bom sairmos da nossa zona de conforto, onde lemos sempre aquele determinado tipo de apresentação, aquele método comum de apresentar os fatos e a evolução dos acontecimentos. 

O Beijo Negro é uma experiência que jamais esquecerei. Uma trama bastante perversa, no bom sentido. Eu acho que o autor foi muito corajoso ao expor todas aquelas ideias. Principalmente ao revelar que os ricos afortunados (aqueles que podem se limpar usando suas notas de dinheiro e nem se preocupam em ficarem mais pobres por isso) podem ser tão maliciosos, levianos e promíscuos, e viverem satisfeitos assim. 


quarta-feira, 10 de abril de 2019

[Quadrinhos] Novas Revistas Tex Chegando

Faz algum tempo que postei aqui como conheci os quadrinhos Bonelli, fiz um post falando do meu primeiro contato com Tex, em seguida, com Júlia Kendall. Agora quero compartilhar algumas aquisições recentes desse universo.

Tex n° 592 e Almanaque Tex n° 51, ambas de Fevereiro de 2019, com 116 páginas no formatinho padrão que as revistas tradicionais da Bonelli vem sendo publicadas ao longo dos anos (13cm x 17cm em vez de 13cm x 19cm). 

Tex n° 592 tem o preço de R$ 9,90 (nove reais e noventa centavos). Vou ser sincero: gostei muito da capa, o fundo de velho-oeste no degradê que vai do laranja ao amarelo e o rosto de Tex em close com uma arma; Nos dias de hoje é meio que proibido ficar falando e mostrando armas de fogo. Então, achei um capa muito bem feita, bem desenhada e corajosa - pelo close no personagem com sua expressão impiedosa e pela arma que realça aquilo que tem que ser feito, na linguagem daquele velho-oeste. 

Almanaque Tex n° 51 tem o preço de R$ 12,90 (doze reais e noventa centavos). confesso que não entendi essa mudança. Se Tex, que tem o mesmo número de páginas e todo o padrão identico custa R$ 9,90 (nove reais e noventa centavos), porque cargas d´água este Almanaque é mais caro? O que me dediciu por esta publicação foi a trama "O SEGREDO DE LILITH", que vai me fazer ampliar um pouco mais o conhecimento acerca do universo de Tex, pois, do pouco que vi, se não me engano, Lilith foi a mulher de Tex e acabou morrendo. Então será bom explorar essa parte que ainda não conheço. De quebra, há outra história, "Dinamite", que me servirá com o mesmo propósito de ampliar o conhecimento sobre os outros personagens.

Então é isso. Quis compartilhar essas aquisições para mostrar que meu interesse em Tex continua. Abraços a todos e até a próxima postagem.



sexta-feira, 5 de abril de 2019

[Quadrinhos] O Menino Maluquinho em: Páscoa...Quá! Quá! Quá!

Essa HQ abriu a edição do Menino Maluquinho n°31, publicada em Abril de 1991 pela Editora Abril, contendo 36 páginas e o preço de Cr$120,00 (cento e vinte cruzeiros). Menino Maluquinho é designado pela professora para ser o coelhinho da Páscoa em uma brincadeira escolar. Ele veste uma roupa própria de coelhinho da Páscoa e entra no clima junto com a classe. Ele precisa encontrar os ovos escondidos e distribui-los para o pessoal da classe. Acontece que ele não encontra nenhum. Os lugares (óbvios) onde eles certamente seriam encontrados estavam vazios. Logo é revelado que Julieta tinha escondido todos os ovos em outros lugar, com medo de que o Maluquinho fosse comê-los quando os encontrasse, em vez de dá-los para o pessoal, pois ele era levado e não era segredo sua predileção por chocolate. A HQ está completa para vocês se divertirem.

Já falei dessa revista aqui no blogue e nem faz muito tempo. Foi na historinha "Aula Prática", que ilustrava uma passeio no bosque, cuja reação dos alunos foi bem parecida com a minha turma na minha época de aluno. Agora a situação é dentro da escola, interagindo na classe. É uma trama bem mais simples e os diálogos dele com os amigos é que torna tudo interessante. Maluquinho age e fala como um menino real, como algum garoto que a gente já viu por aí em algum dia desses.

sexta-feira, 29 de março de 2019

[Quadrinhos] Mônica em: Fama de Bruxa

É, meu caros! As bruxas existem! Mônica dá de cara com uma, que não gosta nada de saber o entendimento que a menina tem das bruxas em geral. É uma HQ focada no diálogo sobre estereótipos e preconceitos, com uma situação indesejável no final, típica das obras mais clássicas do Mauricio, que retratava abandono, discriminação e estilos de vida com uma pitada de reflexão ao mesmo tempo em que expunha um quadrinho forte para a ocasião. Acho que a intenção, neste caso, é apenas terminar com uma piadinha de mau gosto. Às vezes os artistas curtiam 'trolar' os personagens. Mas também vale o alerta de que não devemos generalizar as pessoas pelo que elas são ou fazem, porém, sempre é bom ter cuidado com quem não conhecemos.

A HQ fez parte do Almanaque Mágico da Mônica que, na verdade, trata-se da linha de almanaques da Mônica. Este sendo o  n° 29, publicado em Junho de 1986 pela Editora Abril, com cem páginas e o preço a Cz$ 7,00 (sete cruzados).



sexta-feira, 22 de março de 2019

[Quadrinhos] O Menino Maluquinho: Aula Prática


O Menino Maluquinho teve sua própria revista em quadrinhos na Editora Abril (1989-1994). O que eu gosto no Ziraldo é que ele tem sua própria identidade didática e educacional, sempre teve, e não mudou muito ao longo do tempo, nem para obter maior público e nem para cair nas graças de um sistema governamental. 

"Aula Prática" retrata um passeio escolar na natureza, onde o objetivo da professora era ensinar os alunos a prestarem mais atenção aos animais e às árvores, promovendo uma conscientização da preservação ambiental e do ecossistema. Passeios desse tipo são ótimos para começar a inserir nas crianças a importância da natureza e dos bichos. Confesso que me vi ali, naquela interação da criançada. A reação de vários de nós era bem assim. Por isso resolvi compartilhar a história inteirinha aqui. 

segunda-feira, 18 de março de 2019

[Quadrinhos] Luluzinha: A Grande Corredora


"A Grande Corredora" é uma história bem legal onde a turma disputa uma corrida de carrinhos. Só que, antes, Bolinha vai para o clubinho e conta para os amigos que a Lulu vai participar da corrida. Eles ficam surpresos, pois, até então, não sabiam de nenhuma outra menina. Sentem-se afrontados e não podem deixar que Lulu seja melhor do que eles nessa competição. 

Essa turminha também fez parte da minha infância, por isso tenho um carinho especial. Há quem diga que Lulu reflete o feminismo. Minha opinião: esses trabalhos apenas retratam o perfil comum à época. Os meninos tinham a tendência de serem mais confiantes e ousados. As meninas, por sua vez, eram vistas como frágeis e delicadas. Não se pode negar que o comportamento de ambos apresenta uma dose político-social, o que é feita de forma simbólica pela interatividade espontânea de cada um.


sexta-feira, 15 de março de 2019

[Quadrinhos] A Pantera Cor-de-Rosa: Equívoco Rosado


A Pantera Cor-de-Rosa é um personagem que fez parte da minha infância através dos desenhos animados da TV, que eram mudos e hilários. Ela era muito atrapalhada. Qualquer coisa simples já era motivo para se meter em baita confusão. Tenho saudade dessa simplicidade toda. Os desenhos mal tinham cenários, as cores eram chapadas, mas como divertiam gostoso. É o que eu chamo de "a arte da simplicidade". Minha geração foi muito beneficiada com isso -- a arte da simplicidade -- tanto na TV (Mister Magoo, Dom Pixote, Spectremen...) como nos quadrinhos (Recruta Zero, Zé do Boné, Casal Neuras, Rê Bordosa, Níquel Náusea...).

Nos quadrinhos, a pantera falava, o cenário era "melhorado" e outros tipos de personagens apareciam (ao contrário da TV, que era sempre o mesmo tiozinho que acabava interpretando várias situações inóspitas). Destaquei esta, que tem apenas três páginas, mas é uma boa amostra do que encontrávamos em suas revistas.