quinta-feira, 18 de outubro de 2018

'Missão Suicida', minha primeira leitura de Tex Willer

"Missão Suicida" é uma HQ bem violenta que se passa às margens do Rio Grande, uma região divide os Estados Unidos e o México, onde Tex e seu parceiro Carlson encontram um comboio bastante suspeito e durante a perícia descobrem que a carga escondia armamento ilegal. Os homens que conduziam a primeira carruagem não souberam explicar a procedência nem a situação, usando a artimanha de se vitimizarem alegando que não sabiam de nada, que apenas limitavam-se a conduzir os cavalos. Porém, percebendo que não estavam sendo convincentes e temendo a prisão, resolveram reagir, incitando seus comparsas. Acontece que Tex e Carlson também não estavam sozinhos. Havia, no mínimo, uns 50 homens "na moita" e que deram as caras no exato momento em que a coisa ficou preta. Um grande tiroteio aconteceu, matando quase todos os soldados. O bando fugiu com ares de glória, deixando Tex e Carlson com o cu na mão. Os poucos homens que restaram nem acreditavam que estavam vivos. Tex e Carlson ficaram tão pasmos que decidiram não se arriscarem naquele caso, pois já era um grande feito terem saído vivos daquele massacre. Ao conversarem com o xerife, deixaram claro que não se envolveriam mais na história. Ele não gostou nada, porém, aceitou os fatos. 
Tex e Carlson, dispostos a arejarem um pouco a cabeça, foram a um velho bar de ambiente familiar. Enquanto conversavam com o proprietário mexicano, procurando torná-lo um pouco mais otimista, pois, segundo ele, os negócios, ali, iam de mal a pior, um grupo de homens se aproximou. Todos se animaram com a chegada de mais "gringos" (como eram chamados os norte-americanos que transitavam por ali), pois significava mais dinheiro chegando. Porém, logo deram-se conta que os caras eram mau-encarados e um deles já foi logo se engraçando pra cima de Consuelo, a filha do mexicano dono do bar, pois ela era muito jovem e atraente. A moça só não foi estuprada porque Tex e Carlson interviram de forma sagaz - conseguiram tapear os caras por um breve instante, o suficiente apenas para que a moça voltasse em segurança para dentro do estabelecimento. Percebendo logo que foram manés, os trouxas logo sacaram suas armas e resolveram meter bala em todo mundo, porém, não contavam com a agilidade de Tex e Carlson, que já previram tudo e, com isso, conseguiram ser bem ágeis na defesa, eliminando todos. 

O mexicano não sabia o que fazer, tamanha sua gratidão, pois, se não fossem os dois estarem ali, provavelmente, os caras barbarizariam com sua filha. Tex se lembrou de algo que os pilantras disseram, pouco antes daquele conflito todo chegar às vias de fato: era algo qualquer que se relacionava ao comboio de outrora. Uma frase aparentemente sem grande importância, mas que foi o suficiente para fazer com que ele se animasse e quisesse estar à frente daquele caso novamente, para desespero de Carlson, que estava visivelmente relutante a abraçar tal ideia, mas acabou acompanhando o parceiro que foi às pressas notificar o xerife sobre sua disposição em atuar. Claro que ele ficou todo contente, mas havia uma questão importante a ser considerada: os caras eram muitos. Fazer um cerco às margens do Rio Grande sem uma boa retaguarda não era nada inteligente. Onde arrumariam grande número de homens dispostos a arriscarem suas próprias vidas nessa empreitada, e para ontem? Foi então que o xerife teve uma ideia: recrutar prisioneiros de um local próximo dali para se tornarem a tropa de Tex que, por sua vez, achou uma tremenda maluquice, pois sabia perfeitamente os tipos de criminosos de alta periculosidade que habitavam aquele recinto. Ele já se imaginava tendo que se desvencilhar dos pistoleiros do comboio e, ao mesmo tempo, de seus aliados de araque que, no meio de um intensa troca de fogos, não hesitariam em matá-lo também, afinal, alguns foram colocados naquele inferno de lugar por causa dele. 

Bom... Vou parando por aqui, mesmo sem falar da parte do duelo com um cara psicótico que Tex encontra na prisão.. .rsrsrs... Realmente, colocar criminosos para lutarem a favor de quem os colocou na prisão é algo meio, meio... meio "Brasil"! Afinal, aqui todos acham que bandidos psicóticos, cheios de ódio e maldade no coração (que roubam, estupram e até matam, como se a vida não fosse nada) se recuperam através de visitinhas calorosas de suas mulheres e saidinhas esporádicas para visitarem o lar doce lar.

Essa foi a primeira vez que me permiti ler uma aventura de Tex Willer. Já cansei de ver suas revistas em sebos, até dei umas folheadas, mas nunca tinha parado para ler uma página sequer. Fico pensando se esse tipo de material fosse produzido aqui, desde o início de sua roteirização até a arte final dos quadrinhos, quantas barreiras esse tipo de produção iria encontrar, pois moramos em uma democracia que não aceitaria HQs de um personagem que fosse uma autoridade que gosta de mandar bala em bandidos, que mata sem dó nem piedade um estuprador covarde, muitos sequer aceitam que as autoridades daqui andem armadas, imaginem, então, um grande número de policiais eliminando friamente um bando de contrabandistas nas imediações das fronteiras com os países vizinhos. Fico pensando se uma publicação genuinamente brasileira, seguindo esses moldes, teria vida longa por aqui. Era mais fácil questionar esse tipo de arte (já que aqui virou moda questionar e censurar arte, pois brasileiro não sabe mais separar a ficção da realidade, consequência de um investimento cada vez mais pífio em educação, talvez), processar seus produtores (os desenhistas, roteiristas e até a editora), hostilizá-los bastante em redes sociais e, com isso, torná-los alvo fácil de ações criminosas as quais seriam vistas como formas de protesto de tais vítimas da sociedade. Outro dia mesmo, eu juro que vi um poste mijando no cachorro!!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Capas Interessantes: Magali n° 42 - Out/2018


Magali n° 42, de Outubro de 2018 pela Panini Comics
68 págs. ao todo, preço de capa: R$ 5,00 (cinco reais)
Formatinho: 13,5cm x 19cm

Capa bem legal essa da Magali que ganha as bancas neste mês. A HQ de abertura é alusiva ao Halloween, onde a turma resolve sair para pedir doces. Quero ver como fica essa história de sair pedindo doces com a Magali. 


sábado, 13 de outubro de 2018

HQ: Maga Patalójika e o Futuro Imprevisível


Durante uma importante reunião na convenção das Bruxas, ao contrário das amigas, Maga percebe que não teve muito o oque mostrar, o que a faz sentir-se constrangida. Porém, uma revelação é feita na parte em que um pedaço do futuro é mostrado a cada uma delas: Maga consegue pegar a moedinha número 1 de Patinhas, considerada o maior talismã da fortuna do pato quaquilionário. Maga acredita que a moeda ira lhe tornar a pata mais poderosa do mundo, por isso sua vida gira em função das tentativas frustradas de adquiri-la.
Com data certa para acontecer tal feito, Maga prepara-se ansiosamente para mudar sua vida, pois o futuro mostrado estava logo ali, há apenas uma semana. No dia certo, lá foi ela, acreditando nas forças do universo que conspiravam a seu favor. Chegando na caixa-forte, ela tomou a moedinha do pato e se foi. Não deu tempo nem dele se defender. A empreitada foi tão fácil que ela começou a desconfiar se aquela era mesmo a tal moeda, se não tinha sido enganada por Patinhas que, de alguma maneira, já devia estar prevendo que ela apareceria. 

Essa história foi até bem simples e mostra a falta de fé que uma pessoa tem, que não adianta nada fazer planos e invocar deuses e monstros se a pessoa não confia no próprio potencial. No caso dela, a autoconfiança foi tão grande que realmente conseguiu tomar a moedinha de Patinhas, porém, logo passou a questionar seu grande feito, duvidar do que aconteceu. Isso é um grave erro, pois a insegurança nos deixa cegos e nos faz desperdiçar uma boa chance que temos na vida. Não há poder no mundo que faça nada, se nós mesmos nos mostramos fechados para que aquilo aconteça. 

Mais fé. Mais confiança. Acreditar já é um grande passo para que as coisas conspirem a seu favor.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Capas Interessantes: Comando Laser


Comando Laser foi uma série de quadrinhos em que Mickey e Pateta trabalharam para deter um vilão misterioso que usava de audaciosos robôs para provocar o caos em Patópolis. Quem estava por trás de tais máquinas? Por quê? 

O que chama a atenção é que todos os episódios da série foram produzidos por artistas brasileiros. Eram os bons tempos da produção em alta de HQs brasileiras da Disney. 

O primeiro capítulo começou em Mickey n° 426, de Setembro de 1986 e termina em Mickey n° 445, de Junho de 1987. Vale lembrar que esse título, na época, era quinzenal, e a única revista em que a ordem cronológica de sequências foi interrompida é a de n° 432, pois ela ganhou as bancas na primeira quinzena de Dezembro e manteve o foco nas comemorações do Natal. Mickey n° 433 ganhou as bancas na última semana de Dezembro e assim a saga continuou normalmente. 

Outro ponto a se observar foi a mudança de preço: Comando Laser começou com a revista do rato custando meros Cz$ 4,00 (quatro cruzados). Dez meses depois, terminou com o mesmo título a Cz$ 10,00 (dez cruzados). Mais do que dobrou o preço da revista, em menos de um ano. Reflexo da economia pífia do país, que vivia seu momento de inflação astronômica e incerteza política (bem... até hoje temos a incerteza política).


Comando Laser foi republicado muito tempo depois, mais precisamente em Fevereiro de 2011, como miolo das revistas do Zé Carioca, o que foi lamentável o fato de simplesmente optarem por não republicarem mais, deixando-a inacabada. Alegaram que a  série era muito fraca e atrapalhava as vendas do título do papagaio que, infelizmente, virou um verdadeiro 'Walking Dead' das publicações, pois a editora insistia em manter na sua linha de produção as mensais desse título que não tinha mais nada de novo a oferecer, há anos. Tentaram uma nova produção de historinhas, algumas produzidas por mestres consagrados dos quadrinhos, mestres os quais tanto produziram na editora. Essa estratégia de alavancar vendas foi em vão, devido à má estratégia de marketing e uma pobreza publicitária que se resumia em colocar apenas uma foto na rede social e escrever algo do tipo "edição imperdível" no meio de uma sinopse, para ver se despertava o interesse dos leitores. Acontece que essa frases de efeito: "edição imperdível" ou "a melhor HQ de todos os tempos", em se tratando de uma mensal de 52 páginas onde 40 delas eram re-re-re-republicações (inclusive as capas), fazia a revista do Zé Carioca se tornar cada vez mais perdível. 

Fiquei esperando que um dia, quem sabe, Comando Laser fosse republicado (de novo) em alguma Disney Big ou Jumbo da vida. Eu nem imaginava que ficaríamos sem publicação nenhuma da Disney sendo lançada. Afinal, convivíamos com tantos encadernados de luxo maravilhosos sendo colocados às pressas no mercado, vários títulos "pipocando" e até um mega desconto nas assinaturas das mensais a Abril ofereceu na 'Black Friday' do ano passado.... Fico imaginando, agora, a cara desses leitores que se imaginaram os "ixpertinhox"em adquirir esses planos de assinatura onde o preço saia quase '50% off 'do comercializado nas bancas, já levando em consideração que os preços de capa aumentariam no começo do ano. Viram o que faz a ganância? Ela infla o ego e diminui a temperança. QUÁ-QUÁ-QUÁ!


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Conhecendo os quadrinhos de Tex Willer


Fiz um vídeo legal que registra minhas primeiras impressões com os quadrinhos de Tex Willer. Depois, o que verão são as fotos que tirei, caso prefiram vê-las melhor aqui no blogue. Mas o vídeo ficou bem bacana, só perdoem as minhas colocações toscas repetindo bastante as mesmas palavras. Eu me saio bem melhor escrevendo. rsrs...

Tex Coleção n° 275, Mythos Editora, Dezembro de 2009
116 págs. ao todo, preço de capa: R$ 5,90  (cinco reais e noventa centavos)
Tamanho: 13,5cm x 17,5cm, miolo em preto e branco



domingo, 7 de outubro de 2018

HQ: CHICO MINHOCA

A história já começa pegando fogo, com Rosinha pegando Chico Bento com outra menina. Ele ainda tenta se fazer de bobo, mas a garotinha não deixa por menos e taca logo "fogo no parquinho". Ela diz na cara de Rosinha que eles estavam ali namorando, fazendo com que ela saia correndo aos prantos e Chico se sinta arrependido. A menina também se retira, em seguida, e Chico começa a andar tristonho até encontrar uma macieira onde fica filosofando diante do bichinho da maçã à sua frente. Hiro o encontra e o chama para ir ao circo, pois terá malabaristas e um mágico muito bom. É quando Chico, todo amargurado, resolve dar um choque de realidade em Hiro, expressando toda sua frustração ao dizer que mágica era balela, que não existia e que todos os números eram apenas truques. Nesse exato momento, o mágico passa, escuta tudo e, revoltado, lança um encanto, trocando a personalidade de Chico com a do bichinho da maçã. Durante o raio lançado pelo mágico, tiros de sal são disparados ao longe e acertam o galho onde estava a maçã, partindo-o bruscamente e atingindo a cabeça do mágico, derrubando-o no chão. Nhô Lau aparece como sendo o autor dos disparos e ele se assusta com o cenário do mágico inconsciente, o galho quebrado e Chico Bento no chão. Só que, no caso do Chico, ele acha que o caipira estava se arrastando todo no chão, feito minhoca, apenas para lhe pregar uma peça e deixá-lo impressionado. Hiro, mesmo tendo presenciado o mágico ali, jogando seu raio, estava achando o súbito comportamento de Chico muito esquisito, pois não fazia a menor ideia de que a personalidade no corpo de seu amigo era, na verdade, a do bichinho daquela maçã que, naquele incidente, acabou indo ao chão, mas sequer foi notada. Então vemos o bichinho saindo de dentro da maçã, mas levando um tombo, estranhando tudo à sua volta e não se reconhecendo como tal. A cara do Chico foi colocada no pequenino ser para ilustrar aos leitores de que era a personalidade do Chico que, na verdade, estava ali. E assim a trama vai nos mostrando o "Chico Minhoca" passando por várias situações de perigo onde sua vida é colocada em risco.


Uma HQ bem dinâmica e envolvente, com desenhos muito bonitos (o estilo que predominava nas principais historinhas dos primeiros anos de sua própria revista na Abril), um cenário até mais caprichado, pois nota-se pelas flores  maravilhosas que enfeitaram os primeiros quadrinhos, o gramado um tanto mais alto e realista que veio a seguir, o detalhamento no tronco da macieira e até na maioria das folhas. 

Publicada na abertura de Chico Bento n° 14 da editora Abril, originalmente em 1983. Eu a tenho na reedição da "Coleção Histórica da Turma da Mônica", de Novembro de 2009, pela Panini Comics: um projeto especial que a Mauricio de Sousa Produções fez com o intuito de reeditar as 50 primeiras edições de cada um dos seus títulos mais clássicos, ou seja: as 50 primeiras edições de Mônica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento e Magali. Uma empreitada maravilhosa que espero que seja continuada algum dia. 


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

'VENOM' estreia no Brasil - qual será a pegada do filme?


Estreou em boa parte dos cinemas brasileiros o filme "VENOM", na minha opinião, um personagem bastante emblemático dos quadrinhos do Homem-Aranha. Venom é uma criatura alienígena que se apossa de um uniforme diferenciado de super-herói. Eu tenho uma revista da Abril aqui onde mostra uma parte dessa aventura e nela o próprio Peter Parker veste esse uniforme negro e parece ter dupla personalidade, pois há balões com os pensamentos e falas dele mesmo, mas também pensamentos alheios que, na verdade, era a própria criatura infiltrada e que estava tentando controlar a mente de Parker. Demorei um pouco para entender o que se passava. Peter consegue se livrar do uniforme antes que Venom dominasse completamente sua mente, mas outra pessoa acaba lhe servindo como hospedeiro: um jornalista do Clarim Diário ressentido pelo Homem-Aranha.
Tom Hardy é o Venom no cinema, o que já me deixa mais otimista, pois o ator muito me agradou com "Mad Max: Estrada da Fúria" e fiquei sabendo que ele também fez o último filme de Star Wars, sendo que é presença garantida na continuação de Mad Max e em um novo filme como Al Capone, ambos previstos para 2019. Michelle Willliams é outro nome que me chamou a atenção. Gosto dela. É bonita, talentosa, tanto que encarnou a própria Marilyn Monroe e também fez a sofrida esposa do homossexual mal-resolvido interpretado por Heath Ledger em "O Segredo de Brokeback Mountain". 

Do pouco que já vi em divulgações por aí, o aracnídeo amigão da vizinhança parece que nem dá as caras nessa produção, pois já li algumas matérias na Internet e acho que ele sequer é citado. Dá a entender, então, que o foco fica todo centrado no próprio alien e seu hospedeiro, um cenário todo embasado em experimentos científicos e aquele clima de: "Oh-oh! Algo não saiu realmente como deveria nesta experiência!", tão característico e predominante no universo Marvel, afinal, acidentes com um certo quê científico deram origem à maioria de seus personagens.

É claro que não espero uma história de origem exatamente igual à HQ. Quero mais é um filme envolvente que me impressione de alguma forma. Os filmes recentes da Marvel têm usado de boas doses de humor e leveza, características que não seria bom (na minha opinião) encontrar nesse filme que, ao meu ver, deve ter uma pegada mais densa, séria e com mais suspense/terror.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

5 filmes 'trashes' de zumbis para você conhecer

Exatamente no dia 01 de Outubro de 1968, nasceu esse gênero de zumbis comedores de gente que, de obra em obra, vai resistindo até hoje. Seu criador se chama George A. Romero - filho de pai cubano e mãe lituana - que morava no Bronx e ia a Manhattan para alugar os filmes que assistia em casa. Formado em 1960 na Carnegie Mellon University, em Pittsburgh, na Pensilvânia, trabalhou com 'curtas' e comerciais de TV até que reuniu nove amigos e fundou a Image Ten Productions, já próximo de produzir junto com John A. Russo o filme que até hoje é referência para as mais atuais produções de mortos-vivos: "A NOITE DOS MORTOS-VIVOS".



A seguir, elenco cinco títulos de filmes de zumbis que recomendo conhecer. Ao contrário das boas produções de hoje, estes são considerados 'trashes', porém, tiveram grande alcance popular. Alguns já foram sucesso no cinema e exibidos várias vezes nos canais abertos mais conhecidos da TV.




A NOITE DOS MORTOS-VIVOS
Night of the Livind Dead
1968 - EUA - Direção: George A. Romero
Digamos que este é o pai de todas as criações envolvendo zumbis, mortos-vivos, 'walking deads' e o que mais há nesse gênero. George A. Romero (o criador), faleceu no ano passado e deve ter ficado muito satisfeito pela sua obra de 1968 ainda estar sendo bastante lembrada e requisitada hoje, 50 anos após, vez que as produções atuais não fogem muito das referências de seu original que consiste em mostrar um bando de pessoas às voltas com mortos-vivos decrépitos que têm necessidade de comê-las. Confesso que não vi o filme, apesar de ter ouvido falar muito dele. O que sei é que um satélite cai em determinado local e emana uma radiação perigosa nos arredores de uma fazenda (ou um área rural, não sei bem) e isso faz com que os mortos se levantem em busca de seres vivos para se alimentarem. Preciso assistir para saber se a obra mostra uma família apenas ou se é uma comunidade pequena  que vive afastada da cidade. Também quero saber se os mortos-vivos em questão são ágeis ou lentos, agressivos ou mais inofensivos. O "classicão" é todo em preto e branco e foi produzido com pouco recurso financeiro e muito preconceito na época, pois esse tipo de obra não era bem aceita. Algumas empresas, para comercializarem-no, queriam cortar as cenas mais sangrentas e impressionantes, o que não fazia nenhum sentido, não é mesmo? Sendo um filme da década de 60, é bom não esperar algo muito eletrizante ou emotivo, pois as tomadas abertas e os 'closes', os cortes de cena, a continuidade, a evolução do roteiro, enfim, todo o jeito de fazer cinema era muito distinto do que estamos acostumados. É interessante, eu penso, para fins de conhecimento de como é, afinal, a história da primeira trama de zumbi de todos os tempos: o primogênito dentre tudo o que já vimos e ouvimos por aí, ao longo destes 50 anos que se passaram.

A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS
The Return of the Living Dead
1985 - EUA - Direção: Dan O´Bannon
Faz tempo que vi esse filme e confesso que não me lembro direito da história toda, mas muitas cenas ainda estão na minha mente. Um gás estranho é mantido pelas forças armadas como extremamente perigoso, praticamente é algo secreto mantido às sete chaves. Acontece que, acidentalmente, essa substância acaba vazando e se misturando na atmosfera. Uma chuva faz com que ele seja despejado nas imediações de um pequeno cemitério, trazendo de volta à vida uma porção de cadáveres. Na verdade, o filme acaba sendo muito engraçado. Vemos os tais aborrescentes bem típicos dos anos 80, botando banca no cemitério, mas que se borram quando surge esse povo distinto do além saindo de suas tumbas. Vamos acompanhando os corpos em diferentes estados de decomposição, até um cachorro apenas pela metade e uma mulher bonita que acaba ganhando seus cinco minutos de fama quando sai debaixo da terra no melhor estilão daquela abertura do Fantástico, quando as deusas saem da água. Alguns dos zumbis se lamuriam clamando por miolos, facilmente contidos, já outros são mais ativos e adotam um temperamento histérico, o que fica ainda mais cômico.


A VOLTA DO MORTOS-VIVOS 3
Return of the Living Dead III
1993 - EUA - Direção: Brian Yuzna
O segundo filme não ganhou notoriedade nenhuma, pois dizem ser a mesma coisa que o primeiro e com menos carisma. Este terceiro eu vi e considero interessante, pois é um casal de jovens rebeldes e apaixonados onde a namorada punk morre brutalmente em um acidente e o cara, inconformado, acaba aproveitando que seu pai é um dos figurões das forças armadas encarregadas no experimento do tal gás perigoso (o mesmo que deu vida aos mortos nos dois filmes anteriores), então ele acaba tendo acesso (clandestinamente) ao local e à substância que traz sua namorada de volta, inclusive com a consciência e um comportamento até normal, o que nos leva a crer que o evento tenha sido bem sucedido. Só que não! Com o passar do tempo, ela passa a se autoflagelar, pois ela tem fome e sabe que comer o namorado não é um bom negócio. Isso funciona no começo, mas o tempo faz com que ela vá se autodestruindo toda, pois sua vontade de carne viva só aumenta e a dor já não a tapeia mais. A história não fica apenas nela. Há muito mais para acompanhar. A produção de maquiagem e efeitos está bem mais caprichada e dá aquela valorizada no horror.

RE-ANIMATOR: A HORA DOS MORTOS-VIVOS
Re-Animator - 1985 - EUA - Direção: Stuart Gordon
Esse filme possui uma ambientação completamente diferente dos anteriores que citei, pois sai de cena a curtição dos jovens apaixonados e o clima informal, entrando no lugar um cenário acadêmico de universidade de medicina e a sobriedade laboratorial. Jovens rebeldes não tem vez. Aqui o protagonista é um estudante que não se conforma com a morte e logo vemos que ele acaba ficando à frente de uma experiência: um líquido de cor bem notável que tem a premissa de ressuscitar pessoas. E sim, o curioso líquido de cor berrante funciona, mas não como se esperava, pois muitas vezes os corpos ressuscitados acabavam se tornando agressivos e partiam para a violência. Vamos acompanhando vários momentos curiosos e nojentos ao longo da trama, o que não é ruim, pois filme 'trash' que se preze tem que ser recheado de nojeiras mesmo, com bastante sangue, secreções e cenas escrotas em geral. Há uma sequência que se chama "A NOIVA DO REANIMATOR", até muito conhecida, mas não me lembro de quase nada dela.

FOME ANIMAL
Braindead - 1992 - Nova Zelândia
Direção: Peter Jackson
Meus Deus! Esse filme é muito doido! Um cara conhece uma moça muito linda e quer engatar algo sério com ela, mas ele tem uma mãe controladora, daquelas que vigiam todos os passos dele. Sabendo do encontro do filho em um zoo, ela resolve ir xeretar atrás e acaba sendo ferida por uma espécie rara de macaco que é uma visão do inferno, acho que o capeta mais feioso ainda é mais bonito que aquilo! Na hora, parece que ficou tudo bem, a vida segue. Mas, um tempo depois, notam-se coisas estranhas na senhora. O ferimento infecciona cada vez mais e ela acaba virando um zumbi bastante agressivo e faminto. A questão nem é essa. O fato é que, ao longo da trama, várias outras pessoas relacionadas acabam sendo infectadas e viram zumbis assim, bastante perigosos e famintos. A vida do cara se torna um inferno! Há uma cena de um jantar que é a coisa mais nojenta do mundo. Nossa! É de embrulhar o estômago. Aliás, o filme todo vai ficando cada vez mais porco, asqueroso e horripilante, sem falar que a produção é muito tosca, com recursos pífios, bastante mal feitos, o que faz com que a repugnância só aumenta, pois a obra se resume a um misto de tosqueira e porquice cada vez mais crescente. Beira o insuportável.