domingo, 11 de novembro de 2018

Dona Tetê

Dona Tetê é a secretária boazuda (e não muito competente) do General Dureza. Todo o Quartel Swampy suspira pela Dona Tetê. Essa imagem é uma reprodução um tanto lúdica de todo o bem-querer que ela desperta em todos. rsrs...

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Minha primeira vez com Júlia Kendall

Confesso que estive com ela até altas horas da madrugada.


"Júlia Kendall - Aventuras de uma Criminóloga" é um título de quadrinhos da linha editorial Bonelli, mais conhecida pela produção incansável de Tex, que vem conquistando um número cada vez maior de leitores. Eu mesmo conheci Tex por mera curiosidade e gostei demais! Agora foi a vez de conhecer a Júlia, que veio para minha casa como um presente que ganhei e acabei guardando com muito carinho. 
Para minha alegria, a trama é completíssima e tem o nome de "O Pesadelo da Porta ao Lado". Um jovem começa a sofrer com terríveis alucinações em seu apartamento. Ele não tem sossego com o mar de bizarrices que sempre encontra dentro de seu próprio lar. Para ele, parece tudo tão real que é impossível distinguir a ilusão a realidade. Sua sorte é que há um casal de velhinhos bem simpáticos no apartamento ao lado - Sr. e Sra. Castevet nunca tiveram filhos, então se apegaram ao rapaz. A senhorinha sabia quando ele chegava do serviço. Imediatamente, ela ia  conversar com ele e acabava dizendo que ouvira seus gritos da noite anterior, na curiosidade obscena de saber o que tinha acontecido, esperando que ele lhe contasse tudo. Mas o moço sempre agia de forma discreta, pois não era agradável ser abordado daquela forma e nem tinha porque dividir seus problemas com uma velhinha que nada poia fazer para resolver a situação. Então, ele dizia qualquer coisa, qualquer tipo de desculpa para não prolongar muito a presença da senhora em seu canto. Ainda que ele não necessitasse dela para nada, a doce velhinha sempre tinha algo a oferecer: uma comida, um petisco, qualquer coisa que acreditava fazê-lo feliz. Ela também tinha uma cópia da porta do apartamento do rapaz, porque ela gostava de lavar toda a louça suja e dar um trato na casa. Era isso o que ela fazia quando ele ia trabalhar. É claro que ele não se sentia muito à vontade com aquela abordagem tão sufocante, mas, por sofrer demais com as alucinações, era bom saber que tinha alguém que pudesse ajudar a manter seu pequeno cantinho em ordem.
As alucinações doidonas do rapaz
Sr. e Sra. Castevet, sempre gentis e prontos para ajudar
Então, a trama muda para uma palestra do Dr. Mostley: especialista em lidar com diversos tipos de alcoolismo, das formas mais brandas e comuns até as mais embaraçosas e chocantes. O papel de Dr. Mostley nessa história era o de acompanhar o pobre homem que sofria com as alucinações frequentes, vez que ele já tinha sido seu paciente e, só por intermédio do doutor, conseguiu reconstruir sua vida. Sabendo de seu estado crônico, Mostley resolve reencontrá-lo. Para ele, o jovem tinha voltado a beber. Não havia outra explicação. Porém, quando foi visitá-lo, logo percebeu o comportamento invasivo do casal de idosos ao lado. Mostley intuiu que alguma coisa muito estranha estava acontecendo. Aquele tipo de convivência, por mais amorosa que fosse, precisava acabar.
Júlia Kendall e Dr. Mostley
É assim mesmo: a trama vai evoluindo devagar, de forma a nos fazer pensar se era realmente necessário ver tantas situações sem importância acontecendo. Afinal, que importância tem ficar vendo páginas e mais páginas de gentilezas cotidianas entre o casal Castevet e o jovem alucinado? As alucinações horripilantes dele até eram interessantes, mas seu dia a dia como motorista de ônibus escolar era tedioso. Por que mostrar essa rotina que não tinha nada demais? E a relação entre Dr. Mostley e Dra. Júlia Kendall, onde ele expunha verdadeiras dissertações acerca dos males do alcoolismo na vida das pessoas? E ela só ouvia, ouvia e ouvia... até que, lentamente, começaram a se aproximar e, então, tive a impressão de que rolou um clima ali. Por que as coisas simplesmente não deslancham de vez? Esse questionamento é facilmente respondido quando entramos na fase onde tudo vai se encaminhando para um destino certo. Aí vamos lendo, vamos acompanhando e começamos a perceber que, na verdade, todos aqueles momentos os quais julgamos desnecessários tinham, sim, um motivo para terem sido colocados na história, pois vamos nos lembrando de cada parte deles à medida que nos deparamos com as dissoluções. A bondade massante dos velhinhos, as alucinações cada vez mais doidas do cara, o papel do Sr. Mostley e alguns personagens secundários que eram aparentemente insignificantes, tudo isso foi colocado por razões específicas as quais se desdobram quadro a quadro.

Em geral, posso dizer que o universo de Júlia Kendall é bem diferente ao de Tex Willer.

- o dele tem uma ambientação de velho-oeste, como se estivéssemos em outros tempos. Cavalos e carroças predominam. Velhos bares (conhecidos como "Saloon") e o estilo caubói na veia. Armas de fogo são coadjuvantes essenciais, pois não se aplica a lei nua e crua da paz e segurança sem elas. De preferência, um arsenal e uma equipe disposta a matar qualquer malfeitor, sem essa de ficar analisando se ele é uma vítima da sociedade ou uma mente perversa que tem prazer em fazer o mal. Mexeu? O pau comeu!

- Júlia já é outra história; um cenário bem contemporâneo, urbano, atualíssimo. A caricatura de todo bom seriado de investigação criminal. Lembra muito alguns que vejo na TV: Law and Order, CSI, The Closer, The Mentalist etc. Não tem tanta ação e violência. A "chave" está nos diálogos, na personalidade dos envolvidos. É como um vinho - você vai degustando aos poucos, vai saboreando. Essa foi a impressão que tive. Se estou certo ou errado, saberei com o tempo, após arrumar outras edições para ler.

Como fiz uma comparação aqui, devo dizer, então, que gostei mais de Tex. Por ele ser tão diferente ao que eu estava habituado a ver (e ler), essa mudança brusca me fez curtir melhor a "viagem". Não significa que não gostei da Júlia. Não é isso! É que eu já estava familiarizado com esse teor, essa ambientação moderna recheada de pistas falsas e mensagens nas entrelinhas. Pode ser que eu mude de opinião em breve, quando tiver lido mais tramas de ambos. Pode ser que não. Seja como for, considero bastante válida essa experiência de me permitir conhecer outros "mundos". Eu estava muito focado em Disney e Turma da Mônica. Então comecei a ter vontade de abrir esse leque. Vieram os livros. E agora, os quadrinhos Bonelli. Muito bom!

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Falando de Tex: Mudanças causam reações negativas em seus leitores

A Mythos Editora está dando o que falar agora mesmo, após publicar no TEX WILLER BLOG uma nota informativa das mudanças que vão ocorrer na linha de publicações da Sérgio Bonelli Editora, responsável pelas publicações consagradas de Tex e muitas outras. 


Primeiro, o melzinho na boca da gente ao anunciar uma nova revista intitulada "TEX WILLER" com 64 páginas e miolo em preto. Em seguida, a porrada no lombo que está fazendo com que muitos leitores assíduos se manifestem com reprovação: "TEX CORES", atualmente com 240 páginas, será reduzida para 80. Oi??? Quê??? Isso mesmo! Redução de 240 para 80 páginas! A alegação está lá, transparente feito água, de que os preços estão altos demais. Mais claro do que isso, só desenhando! Os admiradores argumentam que é melhor encerrar o título, já que não veem como uma boa estratégia essa mudança. Alguns ainda têm esperanças de que a Mythos reaja aos 'feedbacks' negativos e volte atrás nessa decisão, mas já há quem afirme em bom tom que os responsáveis já bateram o martelo e que, agora, é só uma questão de tempo para o material chegar às bancas, já no início de 2019. Também há quem cogitou a hipótese de alguns títulos ganharem papel melhor, o que foi confirmado em tom informal no blogue.

Além disso, anunciaram também o encerramento de "TEX COLEÇÃO", justamente o título que me fez conhecer o universo de Tex pela primeira vez há alguns dias. Veja minha postagem

O que eu acho
Apesar de ser um leitor novato, sempre vi os títulos de Tex por aí, contendo muitas páginas. Fico apreensivo com o impacto de encontrar uma revistinha com 80 páginas, principalmente porque percebi a longevidade das aventuras que, em média, possuem cerca 100 páginas (eu deduzo). Então, não me agrada nada pensar que toda edição terá um "continua". ODEIO títulos da Marvel e DC justamente porque eles não param com esse "continua" e fazem de propósito, porque força o leitor assíduo a não pular edição. Depois relançam o material em forma de encadernado para lucrar em cima daqueles que não seguem as mensais. Oportunismo na veia! Outra coisa: estão dando importância demais para um título que já percebi que não está vingando. E não está vingando porque o estilo tradicional é o que normalmente conquistou público e ainda mantém os veteranos. Então, tornar uma edição em cores (que é considerada especial) em algo mais comum, penso que não seja uma boa ideia, pois, além de não conseguir renovar o público, pode afugentar aquele que é mais fiel.

Espero que a editora esteja atenta ao pessoal que está comentando nas redes sociais e blogues da vida. Espero que tenha gente competente e sensível quanto a vontade dos clientes. Espero que não metam os pés pelas mãos, cometendo bobagens que só contribuirão para piorar o panorama das vendas e, com isso, afundar um  núcleo de quadrinhos tradicional. Espero que se lembrem do que aconteceu com a Abril, que após 68 anos de publicações ininterruptas, perdeu os direitos de continuar com os nossos tão divertidos quadrinhos Disney, e que NÃO sigam o mesmo exemplo. Espero que não sejam profissionais relaxados, acomodados, que subestimam a importância de seu consumidor, pois isso pode lhes custar o próprio emprego!

Outros títulos
Dylan Dog terá duas séries bimestrais cuja distribuição será intercalada, ou seja: em um mês teremos uma edição com republicação de material clássico; no mês seguinte, a vez é da edição com material novo, inédito no Brasil. Então, de alguma forma, Dylan Dog dará as caras todos os meses. Zagor terá apenas um título e será bimestral. 

Para conhecer o blogue de onde tirei essa informação agora mesmo, é só clicar aqui ou ir na minha lista de blogues.  


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Os 7 livros para este Halloween


Hoje eu vou falar de algumas leituras que gostei e acho que tem tudo a ver com esse clima de Halloween. Ao contrário das resenhas individuais, farei breves comentários porque são vários itens. Vamos lá!

O Caso dos Dez Negrinhos (Agatha Christie) - é uma daquelas situações onde um grupo de pessoas vão a um evento de prestígio e em dado momento percebem que caminharam rumo ao precipício. Não há meios de fugir do confinamento mortal. A morte está à espreita e pega um a um. Há um verso intitulado "Os Dez Negrinhos" que indica certa ligação com as mortes. Mas quem está matando? Por que? Atualmente, mudaram o nome para "E Não Sobrou Nenhum". 
A Maldição do Espelho (Agatha Christie) - é outra trama que achei fascinante, pois envolve uma mulher cortejada que se muda para uma nova vizinhança, uma festa em comemoração e um assassinato intrigante. A anfitriã não gosta do sinistro acontecimento, pois o escândalo repercutiria muito mal. Além disso, não se sabe se o drink para o inferno teve seu destino certo. Ela poderia ter sido o alvo. Ou será que ela tramou tudo para sair ilesa, já que seria vista como a grande vítima? Sim. As investigações não a livraram e ser uma das maiores suspeitas. O que eu achei impressionante nesse livro é o fato de que a pessoa criminosa aparece e dá sinais claros de seus motivos, mas a gente lê e não vê. Quando tudo se revela é que nos lembramos dos momentos que tínhamos lido e pensamos: "Nossa! Como esse detalhe tão óbvio não me passou pela cabeça? Como não suspeitei?"

Labirinto da Morte (Phillip K. Dick) - uma expedição é enviada ao planeta Delmak-O para fins de pesquisa sobre uma possível colonização. A expedição aparentemente impecável vai se revelando sinistra à medida que as mortes vão ocorrendo. Será que um deles estava matando ou aquele planeta tinha alguma forma de vida desconhecida que eles não conseguiam notar? Há quem diga que a história tem um viés filosófico e reflexivo sobre "o Criador de todas as coisas". Eu não vi isso no exemplar que peguei. Vi uma trama focada na convivência do grupo naquele planeta e mortes que ocorrem subitamente.
The Walkind Dead: A Ascenção do Governador - tem um gosto de 'spin off' do que vimos no seriado, na temporada em que um cara conhecido como Governador tornou-se uma pedra no sapato para o policial Rick Grimmes e seus seguidores sobreviventes do apocalipse zumbi. O livro nos traz o universo mais particular desse Governador, que tem um irmão mais velho e uma filha ainda criança . A leitura é mais interessante quando você se desconecta do seriado e passa a ver o livro como algo quase desconhecido. O cenário de horror é mais intenso, tornando os momentos caóticos algo repulsivo e fazendo você mesmo refletir que, diante de tudo o que aconteceu, seria de fato impossível sobreviver sem uma mudança brusca e prejudicial em torno de si mesmo, seu temperamento, seus valores. Há uma compreensão maior de que as pessoas vão se tronando quem são de acordo com aquilo que vivem.  

M3S0M4N1UM (Conrado Grassi) - a trama já começa com uma tragédia: professores universitários são assassinados e, os cadáveres, expostos publicamente, aterrorizando moradores da pacata cidade de Flor das Almas, que não estava nada acostumada àquele tipo de violência. Um universitário é apontado como principal suspeito, principalmente por sua ligação muito próxima a uma das vítimas, que era um professor que tinha documentado uma descoberta a respeito dos números primos. É uma história de mistério e investigação. O jovem tem que provar sua inocência. Mais crimes relacionados acontecem. Quando li, eu me coloquei na pele do personagem e voei pelas páginas, afim de saber o que mais aconteceria e como tudo se resolveria. O autor está de parabéns!
A Capela (Jhefferson Passos) - agora a leitura é digital! Sim, pois ela chegou e vem dominando aos poucos. Afinal, é prático, simples e confortável ler um livro numa tela de celular ou 'tablet'. Mas, vamos ao livro: "A Capela" já começa em uma cena intensa de conflito entre dois jovens, Ana e Marcelo, que se encontram confinados em uma minúscula capelinha no meio de um canavial onde não passa viva alma, mas se mostra o reduto ideal para uma força maligna, perversa e cruel. A ideia é fazer o leitor se situar, aos poucos, do que eles estão fazendo ali e como foram parar lá. O terror se torna cada mais intenso, pois o tempo passa e eles não veem saída. Se deixarem a capela, acreditam que algo demoníaco os pegarão, assim como aconteceu com todos os amigos. Por outro lado, estão enlouquecendo lá dentro, um cubículo sujo e sem a menor estrutura de abrigá-los em segurança. Eu me senti sujo com o lado obscuro de Marcelo. E o que Ana me trouxe, com seus surtos, foi um cagaço enorme! Costumo ler à noite, ou melhor, madrugada. Então, já viu!
Os Hegeres de Santa Cruz (Enrique Coimbra) - também é leitura digital. A trama possui referências à magia, ocultismo, xamanismo, satanismo, enfim, coisas desse tipo. A imortalidade é o tema do livro. A imortalidade a qualquer preço, que surge como uma dádiva a três jovens marcados por um cenário de violência nua e crua onde vivem, em um bairro chamado Santa Cruz. Aliás, as cenas de violência são bem fortes. Écio, Thaísa e Guido mantêm um visual gótico (ou "emo", sei lá!), com trajes pretos e inadequados para uma cidade quente, maquiagens pesadas com olhos contornados de preto e peles pálidas. Em um dia qualquer, eles se deparam com uma turma de motoqueiros da pesada. Esses caras vão mudar a vida deles para sempre! É sério! É tudo muito louco e atraente! Uma pena que o autor terminou a história em um ponto qualquer, dizendo que virá um livro 2.

Aí estão sete indicações que despertaram meu interesse e recomendo. Em matéria de espalhar o terror e me deixar vidrado na história, conseguiram cumprir a função, ainda que algumas dessas obras não são classificadas como terror/horror, eu as coloquei devido às situações extremas que os personagens sofrem, a ponto de me fazer pensar: "não acredito que isso está acontecendo".


domingo, 28 de outubro de 2018

Falando da revista da Magali n° 42 - Panini

A capa é bem bacana, uma das melhores que já vi na revista da Magali nessa era da Panini. Dava perfeitamente para fazerem quebra-cabeças, poster e papel de parede, estampa para lençol, edredon, toalha etc.

Magali n° 42 - 2a. série - Mauricio de Sousa Editora - Panini Comics
Outubro/2018 - 68 págs. ao todo, preço de capa a R$ 5,00 (cinco reais)

Virando a página, uma publicidade da 'graphic novel' do Jeremias. "Pele" (roteiro de Rafael Calça e desenhos de Jefferson Costa) me fez lembrar do livro do Lázaro Ramos, "Na Minha Pele", que ainda pretendo ler. A página 3 apresenta a história "Gostosuras ou Travessuras" e trata-se de uma longa trama em duas partes focada nas comemorações do 'Halloween', que é celebrado no dia 31 de Outubro, nos EUA, e a data também tem seu apreço nos demais lugares. Aqui, quiseram colocar o Dia do Saci no lugar: uma forma doentia que brasileiro tem de mostrar o orgulho hipócrita de sua pátria. Então, eles recusam a ficarem felizes com a data norte-americana e criam o Dia do Saci para homenagear a nacionalidade, sendo que já temos o Dia do Folclore, em 22 de Agosto, para celebrar todos os mitos, lendas e histórias urbanas de nossa própria nação, à vontade, mas brasileiro pau no cu nenhum liga para essa data, porque, afinal, ela não pega carona em nenhum 'blockbuster' de uma nação poderosa e invejada para aparecer, então, todo ano passa despercebido o Dia do Folclore, assim como todo ano fazem essa punhetação de querem demonstrar orgulho nacional em um dia que não tem nada a ver. É como se eu achasse que tivesse o direito de desdenhar de sua casa só porque devo achar a minha melhor. 
Mas, voltando ao foco, que é a história, "Gostosuras ou Travessuras" tem uma arte espetacular de Viviane Mambuchi e Andrea de Petta, assim como desenhos de Altino O. Lobo e o roteiro de Emerson B. Abreu, já bastante conhecido e muito bem quisto pelo teor diferenciado de suas HQs ao longo de décadas. Há algumas referências inseridas no decorrer da trama. A minha preferida foi a do Scooby Doo, que se fez presente através da famosa frase de lamentação de um malfeitor que diz: "teria dado certo se não fossem essas crianças enxeridas e esse cachorro". Pra avacalhar de vez, o Bidu aparece falando na sequência, causando pânico na turminha, pois o Bidu só fala em suas próprias historinhas. Com o resto do grupo, ele é um cãozinho normal.
Na verdade, a trama é um plágio de um episódio do Chaves, quando eles têm acesso à casa da Bruxa do 71. Aqui, colocaram uma personagem feiona e truculenta, a Dona Carmem, para servir de bruxa e espantar as crianças, quando elas adentram em sua casa e ficam aterrorizadas. Não estou dizendo isso como uma crítica ruim. Encaro o fato apenas como a referência-mor, pois sabemos muito bem que, hoje em dia, nada se cria. 

Eu gostei da MSP ter aderido ao tema 'Halloween'. Não me lembro de terem feito isso com tanto destaque antes, apesar de personagens do cemitério estarem presentes em toda edição e de eu não ser um leitor tão fanático assim a ponto de consumir muitos gibis. Então, eu gostei da iniciativa. Só acho que as crianças foram muito mal-criadas o tempo todo. Para uma empresa que vive tão preocupada com o politicamente correto, deixando de produzir várias coisas bem legais com medo de polêmica nas redes sociais, essa HQ foi um deslize muito ruim, pois a turma está o tempo todo xingando e amolando a Dona Carmem. Eles riem, acham graça na chacota e continuam. Eu preferia mil vezes uma historinha mais absurda e criativa, que não focasse em mostrar crianças maltratando adultos e saindo ilesas, pois já temos "vítimas da sociedade" demais neste país, que começam exatamente assim, pela falta de noção e de limites. Então, pelo viés social e educativo, achei um tremendo desserviço. Quando abro um gibi, quero fugir um pouco da realidade triste que me aborda o cotidiano e não me deparar com esse fato escabroso. Fora isso, valeu a homenagem à data e as referências legais. A turma saindo enfileirada para pedir doces e comentando depois o que ganharam é uma referência a um episódio específico do Snoopy, onde Charlie Brown sai com os amigos e todos ganham doces, menos ele. Aqui, é a Magali que não fica com doces em sua sacola, mas é porque ela come tudo, então, não sobra nada para ela conferir. 

Outra HQ que quero destacar é "O Milionésimo Salvamento", que tem arte simples de miolo de revista, mas é legal porque trata-se do milionésimo ato de boa ação do Anjinho. O céu se abre, cornetas tocam, há uma celebração, mas o personagem é promovido e deve se despedir da turma, pois trabalhará em outro lugar, passando sua função (de anjo-da-guarda da turminha) para outro.

"Mais Uma Sobre a Corrida da Lebre com a Tartaruga" é com o compadre Coelho e o Tarugo (núcleo da turma da mata). Tem apenas três páginas e é simples demais. Não é uma HQ ruim. OS desenhos são bonitos, a situação é divertida, eu só esperava algo mais. Mas valeu pela ocasião de trazer um 'mix' à revista. É sempre bom ver a turma da mata.

"Hoje é Dia de Net-Fixo", com Pipa e Zecão em casa, sem decidirem o que escolher dentre tantas opções de filmes e seriados que a "Net-Fixo" disponibiliza. Gosto do casal. Os traços deram uma melhorada. Uma HQ legalzinha que ilustra a vida de um casal.

"Origami e Origato" encerra a revista: uma trama curiosa que mostra a capacidade de Nimbus em fazer diversos bichinhos usando a técnica de origami (dobraduras em papel). Eu ri com o entusiasmo da Magali diante do que achou que era um frango de papel. O decorrer da HQ foca no Mingau e na curiosidade em ilustrar o comportamento felino daquela situação em que ele acha várias criaturas de papel no seu caminho. Claro que o roteiro é do Paulo Back!


A tirinha final mostra a Magali repreendendo um estranho ao vê-lo jogar a casca de banana no chão. Em seguida, ela justifica que a repreensão também foi porque não dividiu a fruta com ela. Achei bem bolada. A seguir, a publicidade divulga a chácara da Mônica e a última página traz o lançamento da 'graphic novel' do Chico Bento: "Arvorada", produzida pelo Orlandeli.


Em termos gerais, é uma boa revista. Tem boas histórias e uma capa sensacional. Deixou a desejar no que falei sobre a HQ de 'Halloween', mas é porque não me agradou tanto ler mais de 30 páginas de crianças achando divertido amolarem um adulto às tantas da noite. Sinceramente, eu esperava outra coisa! Temos a Marina com seu lápis mágico, a turma do Penadinho, o Capitão Feio, há tantas formas de se fazer um roteiro bem mais criativo do que mostrar crianças mal-educadas o tempo todo. Uma arte muito bem feita, desenhos lindos... para um roteiro que não foi  oque eu esperava. Lembrando que essa não é a primeira vez que a turminha invade a casa de alguém e lida com acontecimentos "sobrenaturais". Em "O Sobrado Assombrando do Sr. Samir" (Cascão n° 20 - Panini - 1a. série - Agosto de 2008), eles adentram uma mansão supostamente assombrada e vivem o terror lá dentro. Uma HQ muito melhor, mais criativa e sem o viés de amolar propositalmente (por achar divertido) a ninguém.

Abraços. Até a próxima!


domingo, 21 de outubro de 2018

Falando da revista do Cebolinha n° 39 (Panini)


Cebolinha n° 39 é uma publicação da Mauricio de Sousa Editora, pela Panini Comics, que ganhou às bancas em Julho de 2018, contém 84 páginas no total e o preço de capa em R$ 6,00 (seis reais).
 Esta postagem destina-se a mostrar o que tem de bom nesta revista. Vale lembrar que apenas busco compartilhar minha opinião e que não vou mostrar todo o conteúdo, pois são muitas páginas, a ideia é apenas destacar o que eu quero. São 12 HQs (contando com a tirinha final, na página de expediente) e já começo mostrando a trama de abertura:

"Amigos de Infância" mostra os meninos todos apanhando da Mônica porque, de alguma maneira, colaboraram com mais um dos planos terríveis de Cebolinha. Quando ela vai embora, eles ficam revoltados e não querem mais falar com ele. Restou o Cascão que, por sua vez, acabou brigando também e ainda deu a última alfinetada que foi bem doída na alma de Cebolinha, que ficou mexido, mas não deu o braço a torcer. Esta é uma daquelas historinhas que visam mostrar a importância de uma boa amizade acima de tudo, pois todo mundo tem seus defeitos, manias e age, às vezes, de forma reprovável. A amizade deve prevalecer acima de tudo. Se o enredo é previsível (é verdade!), não deixa de ser uma HQ bonita, sim, e muito importante para os jovenzinhos de hoje que estão crescendo em frente à Internet e rompendo relações à toa, por causa de qualquer postagem com a qual não concordam nas redes sociais. A mensagem é muito importante para os dias de hoje e os desenhos são muito bonitos. É a arte-final do Marcos Paulo.

"Penadinho em: Quem é vivo se cuida", é uma curiosa HQ com todo o pessoal do cemitério. Cranícola recebe uma encomenda: um esqueleto desmontado. Como ele se resume a apenas uma cabeça em cima de uma pedra, precisa da ajuda da turma para que seu novo corpo seja montado. A trama serviu para mostrar uma suposta imagem dele quando era vivo: um skatista radical que desafiava o perigo até que a fatalidade aconteceu. Também chega a ser um tanto cômico o carteiro entregando uma encomenda àquela hora da noite em um cemitério. Sabemos bem que os Correios, na prática, não fazem entregas em vários lugares perigosos os quais vêm se multiplicando país afora. Imaginem, então, se iriam a um cemitério à noite. Então acaba ficando divertido simplesmente ver o carteiro ali e pronto. Saudade de quando o padrão das HQs era esse, de não ter que ficar dando muitas satisfações acerca dos absurdos que víamos. Só queria saber aonde é essa agência tão boa assim de serviço. Eh! Eh! Eh!

"A aventura de ser irmão mais velho" é uma típica HQ de miolo. Muitas são legais. Essa é bonitinha, pois mostra o amor de Cebolinha pela sua irmãzinha a ponto de sacrificar seu futebol. Achei um teor um tanto educativo, do tipo que a criança vai ler e absorver um tipo de comportamento que, segundo a MSP, deve ser seguido. Essas HQs são um tanto questionáveis, pois são produzidas propositalmente para serem uma espécie de escolinha de boas maneiras, mas, no caso desta, eu gostei. Eu disse que o teor é questionável porque acho que uma revista em quadrinhos como esta não deveria se preocupar com esse tipo de coisa. Não foi bem com esse tipo de obra que a turma da Mônica conseguiu uma legião de fãs ao longo de gerações. Porém, não vejo esse material como algo ruim, ainda mais com a violência e a falta de humanidade dos dias de hoje. 

"Dente de Leão" é uma historinha boba com o Lei Leonino em que brinca com trocadilho "dente de leão", que é o nome de um planta. É mais uma típica historinha de miolo sem maiores pretensões e que deve funcionar para o pessoal mais novinho conhecer os personagens da turma da mata. Nós, veteranos, precisamos nos lembrar de quando éramos um  pingo de gente, de quando sequer sabíamos ler direito, mas ganhávamos nossos primeiros gibis que eram qualquer um que o pai ou a mãe comprava na banca. Eu gostava de encontrar esse "mix" de personagens. É claro que seria bem melhor que eles voltassem a obter um teor mais inteligente, pois as criancinhas não entendem mesmo o enredo, mas se agradam com os desenhos. E os grandinhos, como nós, teríamos o prazer de ler algo mais de acordo com nossa mente, como era antigamente. Portanto, seria algo aproveitado tanto pelas criancinhas quanto pelos marmanjos. A turma da mata trazia alguma crítica política/social/cultural. Foi triste (para mim) ver os personagens nessa brincadeirinha.

"Substituto inesperado" é a HQ que mais encontrei afinidade nesta edição. Bugu é avisado pelo Manfredo de que o Bidu teve um contratempo e não ia poder estrelar a HQ naquele dia. Ele fica todo animado com a possibilidade de ficar ali e assumir o lugar dele, porém, para cortar o barato de Bugu, Manfredo avisa que um substituto já havia sido designado. Bugu fica curioso e logo o vê chegar, não se conformando, de jeito nenhum, com a escolha do Bidu. O substituto era o Ximbuca, um cão do Xaveco que eu nem conhecia e confesso que ri muito da situação, pois sua aparência é totalmente tosca, com um olho pra cada lado, magrelo, desengonçado e feioso. Escolheram um cachorro bem detonado mesmo para o Xaveco. Meu Deus! Bugu passa a história tentando "trolar" Ximbuca, mas ele, apesar de ser um cão chupando manga, de tão feio, não era tão bobinho assim como Bugu pensava.

Achei as páginas dos passatempos bonitas, por isso quis compartilhar. E a tirinha final. Quis mostrar os anúncios publicitários porque acho interessante averiguar as propagandas que são publicadas nas revistas. No caso, esta é bem recente, mas as antigas acabam despertando maior curiosidade em saber o que estava em divulgação naquela época e como eram diferentes os padrões de anúncios.


Esse foi o conteúdo que mais me interessou. O que não mostrei são historinhas de uma ou duas páginas com Bidu, Cascão, Cebolinha, historinhas que na verdade tem intuito educacional demais e que não acrescentam muita coisa ao teor da revista, pois, se um dia nunca forem publicadas, não farão a menor falta. Compreendo que funcionam para as criancinhas de hoje. Se funciona, isso é o que importa. O Mauricio atravessou 50 anos com suas obras que sempre tiveram mudanças, sejam nos traços ou em conteúdo, mas elas sempre aconteceram e continuam a acontecer. Acredito que a turma da Mônica de 2028 não será a mesma que vi neste gibi, pois algo certamente ira mudar de novo. Acho que isso deve ter algo de positivo, senão as mudanças não aconteceriam, ou melhor, a turma não estaria aí, ainda sendo recorde de vendas nas bancas. Falou em gibi, falou em turma da Mônica. A associação é automática.

Um abraço a todos. Até a próxima postagem.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

'Missão Suicida', minha primeira leitura de Tex Willer

"Missão Suicida" é uma HQ bem violenta que se passa às margens do Rio Grande, uma região divide os Estados Unidos e o México, onde Tex e seu parceiro Carlson encontram um comboio bastante suspeito e durante a perícia descobrem que a carga escondia armamento ilegal. Os homens que conduziam a primeira carruagem não souberam explicar a procedência nem a situação, usando a artimanha de se vitimizarem alegando que não sabiam de nada, que apenas limitavam-se a conduzir os cavalos. Porém, percebendo que não estavam sendo convincentes e temendo a prisão, resolveram reagir, incitando seus comparsas. Acontece que Tex e Carlson também não estavam sozinhos. Havia, no mínimo, uns 50 homens "na moita" e que deram as caras no exato momento em que a coisa ficou preta. Um grande tiroteio aconteceu, matando quase todos os soldados. O bando fugiu com ares de glória, deixando Tex e Carlson com o cu na mão. Os poucos homens que restaram nem acreditavam que estavam vivos. Tex e Carlson ficaram tão pasmos que decidiram não se arriscarem naquele caso, pois já era um grande feito terem saído vivos daquele massacre. Ao conversarem com o xerife, deixaram claro que não se envolveriam mais na história. Ele não gostou nada, porém, aceitou os fatos. 
Tex e Carlson, dispostos a arejarem um pouco a cabeça, foram a um velho bar de ambiente familiar. Enquanto conversavam com o proprietário mexicano, procurando torná-lo um pouco mais otimista, pois, segundo ele, os negócios, ali, iam de mal a pior, um grupo de homens se aproximou. Todos se animaram com a chegada de mais "gringos" (como eram chamados os norte-americanos que transitavam por ali), pois significava mais dinheiro chegando. Porém, logo deram-se conta que os caras eram mau-encarados e um deles já foi logo se engraçando pra cima de Consuelo, a filha do mexicano dono do bar, pois ela era muito jovem e atraente. A moça só não foi estuprada porque Tex e Carlson interviram de forma sagaz - conseguiram tapear os caras por um breve instante, o suficiente apenas para que a moça voltasse em segurança para dentro do estabelecimento. Percebendo logo que foram manés, os trouxas logo sacaram suas armas e resolveram meter bala em todo mundo, porém, não contavam com a agilidade de Tex e Carlson, que já previram tudo e, com isso, conseguiram ser bem ágeis na defesa, eliminando todos. 

O mexicano não sabia o que fazer, tamanha sua gratidão, pois, se não fossem os dois estarem ali, provavelmente, os caras barbarizariam com sua filha. Tex se lembrou de algo que os pilantras disseram, pouco antes daquele conflito todo chegar às vias de fato: era algo qualquer que se relacionava ao comboio de outrora. Uma frase aparentemente sem grande importância, mas que foi o suficiente para fazer com que ele se animasse e quisesse estar à frente daquele caso novamente, para desespero de Carlson, que estava visivelmente relutante a abraçar tal ideia, mas acabou acompanhando o parceiro que foi às pressas notificar o xerife sobre sua disposição em atuar. Claro que ele ficou todo contente, mas havia uma questão importante a ser considerada: os caras eram muitos. Fazer um cerco às margens do Rio Grande sem uma boa retaguarda não era nada inteligente. Onde arrumariam grande número de homens dispostos a arriscarem suas próprias vidas nessa empreitada, e para ontem? Foi então que o xerife teve uma ideia: recrutar prisioneiros de um local próximo dali para se tornarem a tropa de Tex que, por sua vez, achou uma tremenda maluquice, pois sabia perfeitamente os tipos de criminosos de alta periculosidade que habitavam aquele recinto. Ele já se imaginava tendo que se desvencilhar dos pistoleiros do comboio e, ao mesmo tempo, de seus aliados de araque que, no meio de um intensa troca de fogos, não hesitariam em matá-lo também, afinal, alguns foram colocados naquele inferno de lugar por causa dele. 

Bom... Vou parando por aqui, mesmo sem falar da parte do duelo com um cara psicótico que Tex encontra na prisão.. .rsrsrs... Realmente, colocar criminosos para lutarem a favor de quem os colocou na prisão é algo meio, meio... meio "Brasil"! Afinal, aqui todos acham que bandidos psicóticos, cheios de ódio e maldade no coração (que roubam, estupram e até matam, como se a vida não fosse nada) se recuperam através de visitinhas calorosas de suas mulheres e saidinhas esporádicas para visitarem o lar doce lar.

Essa foi a primeira vez que me permiti ler uma aventura de Tex Willer. Já cansei de ver suas revistas em sebos, até dei umas folheadas, mas nunca tinha parado para ler uma página sequer. Fico pensando se esse tipo de material fosse produzido aqui, desde o início de sua roteirização até a arte final dos quadrinhos, quantas barreiras esse tipo de produção iria encontrar, pois moramos em uma democracia que não aceitaria HQs de um personagem que fosse uma autoridade que gosta de mandar bala em bandidos, que mata sem dó nem piedade um estuprador covarde, muitos sequer aceitam que as autoridades daqui andem armadas, imaginem, então, um grande número de policiais eliminando friamente um bando de contrabandistas nas imediações das fronteiras com os países vizinhos. Fico pensando se uma publicação genuinamente brasileira, seguindo esses moldes, teria vida longa por aqui. Era mais fácil questionar esse tipo de arte (já que aqui virou moda questionar e censurar arte, pois brasileiro não sabe mais separar a ficção da realidade, consequência de um investimento cada vez mais pífio em educação, talvez), processar seus produtores (os desenhistas, roteiristas e até a editora), hostilizá-los bastante em redes sociais e, com isso, torná-los alvo fácil de ações criminosas as quais seriam vistas como formas de protesto de tais vítimas da sociedade. Outro dia mesmo, eu juro que vi um poste mijando no cachorro!!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Capas Interessantes: Magali n° 42 - Out/2018


Magali n° 42, de Outubro de 2018 pela Panini Comics
68 págs. ao todo, preço de capa: R$ 5,00 (cinco reais)
Formatinho: 13,5cm x 19cm

Capa bem legal essa da Magali que ganha as bancas neste mês. A HQ de abertura é alusiva ao Halloween, onde a turma resolve sair para pedir doces. Quero ver como fica essa história de sair pedindo doces com a Magali. 


sábado, 13 de outubro de 2018

HQ: Maga Patalójika e o Futuro Imprevisível


Durante uma importante reunião na convenção das Bruxas, ao contrário das amigas, Maga percebe que não teve muito o oque mostrar, o que a faz sentir-se constrangida. Porém, uma revelação é feita na parte em que um pedaço do futuro é mostrado a cada uma delas: Maga consegue pegar a moedinha número 1 de Patinhas, considerada o maior talismã da fortuna do pato quaquilionário. Maga acredita que a moeda ira lhe tornar a pata mais poderosa do mundo, por isso sua vida gira em função das tentativas frustradas de adquiri-la.
Com data certa para acontecer tal feito, Maga prepara-se ansiosamente para mudar sua vida, pois o futuro mostrado estava logo ali, há apenas uma semana. No dia certo, lá foi ela, acreditando nas forças do universo que conspiravam a seu favor. Chegando na caixa-forte, ela tomou a moedinha do pato e se foi. Não deu tempo nem dele se defender. A empreitada foi tão fácil que ela começou a desconfiar se aquela era mesmo a tal moeda, se não tinha sido enganada por Patinhas que, de alguma maneira, já devia estar prevendo que ela apareceria. 

Essa história foi até bem simples e mostra a falta de fé que uma pessoa tem, que não adianta nada fazer planos e invocar deuses e monstros se a pessoa não confia no próprio potencial. No caso dela, a autoconfiança foi tão grande que realmente conseguiu tomar a moedinha de Patinhas, porém, logo passou a questionar seu grande feito, duvidar do que aconteceu. Isso é um grave erro, pois a insegurança nos deixa cegos e nos faz desperdiçar uma boa chance que temos na vida. Não há poder no mundo que faça nada, se nós mesmos nos mostramos fechados para que aquilo aconteça. 

Mais fé. Mais confiança. Acreditar já é um grande passo para que as coisas conspirem a seu favor.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Capas Interessantes: Comando Laser


Comando Laser foi uma série de quadrinhos em que Mickey e Pateta trabalharam para deter um vilão misterioso que usava de audaciosos robôs para provocar o caos em Patópolis. Quem estava por trás de tais máquinas? Por quê? 

O que chama a atenção é que todos os episódios da série foram produzidos por artistas brasileiros. Eram os bons tempos da produção em alta de HQs brasileiras da Disney. 

O primeiro capítulo começou em Mickey n° 426, de Setembro de 1986 e termina em Mickey n° 445, de Junho de 1987. Vale lembrar que esse título, na época, era quinzenal, e a única revista em que a ordem cronológica de sequências foi interrompida é a de n° 432, pois ela ganhou as bancas na primeira quinzena de Dezembro e manteve o foco nas comemorações do Natal. Mickey n° 433 ganhou as bancas na última semana de Dezembro e assim a saga continuou normalmente. 

Outro ponto a se observar foi a mudança de preço: Comando Laser começou com a revista do rato custando meros Cz$ 4,00 (quatro cruzados). Dez meses depois, terminou com o mesmo título a Cz$ 10,00 (dez cruzados). Mais do que dobrou o preço da revista, em menos de um ano. Reflexo da economia pífia do país, que vivia seu momento de inflação astronômica e incerteza política (bem... até hoje temos a incerteza política).


Comando Laser foi republicado muito tempo depois, mais precisamente em Fevereiro de 2011, como miolo das revistas do Zé Carioca, o que foi lamentável o fato de simplesmente optarem por não republicarem mais, deixando-a inacabada. Alegaram que a  série era muito fraca e atrapalhava as vendas do título do papagaio que, infelizmente, virou um verdadeiro 'Walking Dead' das publicações, pois a editora insistia em manter na sua linha de produção as mensais desse título que não tinha mais nada de novo a oferecer, há anos. Tentaram uma nova produção de historinhas, algumas produzidas por mestres consagrados dos quadrinhos, mestres os quais tanto produziram na editora. Essa estratégia de alavancar vendas foi em vão, devido à má estratégia de marketing e uma pobreza publicitária que se resumia em colocar apenas uma foto na rede social e escrever algo do tipo "edição imperdível" no meio de uma sinopse, para ver se despertava o interesse dos leitores. Acontece que essa frases de efeito: "edição imperdível" ou "a melhor HQ de todos os tempos", em se tratando de uma mensal de 52 páginas onde 40 delas eram re-re-re-republicações (inclusive as capas), fazia a revista do Zé Carioca se tornar cada vez mais perdível. 

Fiquei esperando que um dia, quem sabe, Comando Laser fosse republicado (de novo) em alguma Disney Big ou Jumbo da vida. Eu nem imaginava que ficaríamos sem publicação nenhuma da Disney sendo lançada. Afinal, convivíamos com tantos encadernados de luxo maravilhosos sendo colocados às pressas no mercado, vários títulos "pipocando" e até um mega desconto nas assinaturas das mensais a Abril ofereceu na 'Black Friday' do ano passado.... Fico imaginando, agora, a cara desses leitores que se imaginaram os "ixpertinhox"em adquirir esses planos de assinatura onde o preço saia quase '50% off 'do comercializado nas bancas, já levando em consideração que os preços de capa aumentariam no começo do ano. Viram o que faz a ganância? Ela infla o ego e diminui a temperança. QUÁ-QUÁ-QUÁ!